terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sobre a angústia



A angústia manifesta o nada.

"Estamos suspensos" na angústia. Melhor dito: a angústia nos suspende porque ela põe em fuga o ente em sua totalidade. Nisto consiste o fato de nós próprios -- os homens que somos -- refugiarmo-nos no seio dos entes [...]

A angústia nos corta a palavra. Pelo fato de o ente em sua totalidade fugir, e assim, justamente, nos acossa o nada, em sua presença, emudece qualquer dicção do "é". O fato de nós procurarmos muitas vezes, na estranheza da angústia, romper o vazio silêncio com palavras sem nexo é apenas o testemunho da presença do nada. Que a angústia revela o nada é confirmado imediatamente pelo próprio homem quando a angústia se afastou. Na posse da claridade do olhar , a lembrança recente nos leva a dizer: Diante de que e por que nós nos angustiávamos era "propriamente" -- nada. Efetivamente: o nada mesmo -- enquanto tal -- estava aí. (M. H.)





E quem nunca experimentou o nada, que jogue o primeiro ente.

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